Livre-Pensadora

02:14 Ana Carolina Paiva 1 Comentários

Num ímpeto de rebeldia, virei religiosa. Ser religiosa pra mim é o que há de mais rebelde, eu que nasci de mãe e pai ateus- se bem que papai, na reta final, bem que flertava com Thomas Merton e Krishnamurt! E eu que nunca fui batizada, cismei: tinha que ser! Arrumei um padrinho e duas madrinhas que são meus queridos amigos e fui lá, saltitante: batizar, crismar, fazer a primeira comunhão aos 24 anos quando morava num convento em Santa Tereza com uma agremiação de freiras fofas que me deixavam chegar tarde e ir ver meu teatrinho. Sofri bulyng, as invejosas, já que eu caí nas graças das freiras, foram dizer que eu fumava maconha no meu quartinho, o mais pobrezinho de todos. 




Tenho saudade de lá...Mas nem era maconha, era só o meu pacotinho de incenso. As invejosas tiveram que engolir seu veneninho todo. Nem sei onde foram parar, mas suspeito que estão sequinhas atrás de uma geladeira velha ao lado da barata com detefon e de uma pobre lagartixa que não tinha nada a ver com a história. Voilà! Quero conhecer melhor esse senhor subversivo chamado Jesus Cristo, quero conhecer alguns santos, conhecer a beleza dessa figura mítica que é Nossa Senhora. Mas o mais legal disso tudo é o exercício de doação, de me esvaziar, deixar de lado essa parada de me auto-referenciar o tempo todo pra ouvir o outro. Manja? Fazer o bem sem olhar a quem? Teatro épico? Teatro narrativo? Sem melodrama? Sem procurar saber do paradeiro da mocinha? Sem o eu lírico exprimindo os sentimentos do autor? Vamos fazer a revolução sim, mas sem arrancar nenhuma cabecinha na guilhotinha. Amemos as cabeças pobres, burguesas e aristocratas que ninguém sabe o dia de amanhã e esse papo de matar em nome da justiça já era, já foi e tudo seria menos triste se cabecinhas tão diferentes como a de Maria Antonieta e a de Danton ficassem mesmo em seus pescoços de gente. Ponto. Gente... A obra mais linda e perfeita de Deus!

Um comentário:

  1. Tão tipicamente seu, tão ricamente seu, completamente reconhecível na espontaneidade dadivosa, no impulso genuíno, na sempre presente necessidade de querer - e precisar vitalmente - de compreender o chão que pisamos, descortinar um caminho, uma verdade...

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